Diagnóstico visa reduzir desperdício de recursos hídricos no campus Darcy Ribeiro

Arte: arquivo pessoal

 

Além da crise hídrica do Distrito Federal, a Universidade de Brasília enfrenta outros problemas de perdas em seu sistema de abastecimento de água. Com isso, a despesa com o pagamento das contas junto à Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb*) sobe todos os meses. Preocupadas com a escalada da aplicação das verbas, com a situação de racionamento e as possíveis implicações decorrentes do desabastecimento de água, as engenheiras ambientais Camila Ribeiro Matos e Thais de Paiva Lopes, ambas egressas da UnB, realizaram um estudo de monitoramento do abastecimento hídrico.

Engenheiras ambientais Thais Lopes e Camila Ribeiro propõem monitoramento constante das contas de água da Universidade. Foto: Amália Gonçalves/Secom UnB

 

O objetivo da pesquisa é promover ações que propiciem a redução do consumo de água no campus Darcy Ribeiro. A análise sistemática feita nesse sentido foi tema do trabalho de conclusão do curso de graduação em Engenharia Ambiental e foi realizada a partir da observação das contas de água pagas pela UnB em 2016. Para fins de registro, as engenheiras enviaram o levantamento estatístico para a apreciação da Agência Nacional das Águas (ANA) e da Prefeitura do Campus (PRC), que utiliza as planilhas para ajudar a Universidade a gerenciar todo o seu processo de consumação.

 

“A partir da verificação das contas, o controle financeiro é analisado e a instituição pode avaliar a média de consumo de todas unidades prediais da UnB”, afirma Thais Lopes. Dessa forma, a variação do aumento do volume de água consumida pode identificar o eventual desperdício em determinados prédios.

 

Atualmente, os dados levantados na pesquisa científica são parâmetros avaliativos utilizados pela Comissão de Crise Hídrica da Universidade de Brasília, criada em fevereiro de 2017 e presidida pelo vice-reitor Enrique Huelva. Ele admite que esses índices são importantes para que se estabeleçam estratégias para o enfrentamento da crise hídrica. "O trabalho delas serve de parâmetro para calcularmos o consumo e minimizarmos o desperdício de água", afirma.

 

Huelva considera muito valiosa a contribuição de egressos, como Thaís e Camila, em projetos científicos que identifiquem falhas nas instalações físicas das edificações e projetem melhorias na qualidade dos diversos serviços da Universidade. De forma voluntária, as ex-alunas participam da comissão como uma espécie de consultoras técnicas especializadas.

Laboratório de Engenharia é um dos prédios com maior índice de consumo de água. Arte: Arquivo pessoal

 

Hoje, o consumo estimado no campus da UnB gira em torno de 30 mil m³ ao mês. No estudo, o SG12 – prédio de laboratórios de Engenharia Civil – e a Faculdade de Educação Física (FEF) foram identificados como alguns dos prédios com o maior índice de utilização de água. Neles, foram apontados diversos vazamentos nas tubulações e, ainda, equipamentos hidráulicos danificados.

 

“Quando observamos a situação de desperdício no SG12, avisamos ao prefeito. Lá estava minando água. A Prefeitura se mobilizou e consertou os encanamentos. No mês seguinte, constatamos que o consumo reduziu bastante”, diz a engenheira Camila Ribeiro. Na FEF, ela e Thais fizeram monitoramento noturno e perceberam problemas na estrutura da tubulação aterrada. Fizeram escavações e conseguiram fotografar grandes troncos que esmagavam os encanamentos.

 

ABASTECIMENTO – O campus Darcy Ribeiro é abastecido por três entradas principais de rede de fornecimento hídrico. A primeira é o acesso da Prefeitura, que atende os prédios da administração da própria PRC, além de pavilhões de salas de aula, Reitoria e Biblioteca Central. A segunda, denominada Rede do Castelo D’água, abastece os prédios do Instituto Central de Ciências (ICC). Por fim, há uma rede destacada que leva água ao Centro Olímpico (CO) e à Faculdade de Educação Física. Durante o atual processo de racionamento, promovido em todo o Distrito Federal, a entrada de abastecimento do CO é a única que teve corte integral no fornecimento.

Rompimento de tubulação era uma das causas do desperdício de água na Universidade. Foto: Arquivo pessoal

 

PERDAS – Durante a pesquisa, Camila e Thais identificaram alguns motivos que, sistematicamente, acarretam descaminhos no processo de consumo hídrico. Vazamentos decorrentes de canos danificados e equipamentos sanitários em mau funcionamento são os problemas mais frequentes. Deles escoa o maior percentual de desperdício de água. Além disso, as egressas do curso de Engenharia Ambiental da UnB constataram que algumas tubulações sofrem uma espécie de estrangulamento pelas raízes das árvores. Tal fenômeno ocasiona o rompimento dos canos e o eventual vazamento de água não utilizada.

 

MEDIDAS – A fim de sanar os problemas e minimizar a situação de desabastecimento, algumas propostas foram elaboradas, a partir da pesquisa das ex-alunas de graduação. Elas sugerem que os volumes das caixas d’água e as condições físicas dos prédios sejam verificados com regularidade. Além disso, destacam a importância de se fazer campanhas educativas destinadas a toda a comunidade acadêmica.

O uso racional da água, segundo as profissionais, é primordial para minimizar o quadro de mau emprego e de desperdício dos recursos hídricos. Fechar corretamente as torneiras e não esbanjar água durante o uso são atitudes que, quando somadas, se traduzem em economia de verbas públicas.

 

“As instalações hidráulicas de algumas unidades são velhas e complicadas de serem mexidas. As tubulações passam por várias galerias de serviços no subsolo. A substituição das instalações obsoletas é algo que tem que ser feito”, afirma um dos integrantes da Comissão da Crise Hídrica, Sérgio Koide, que também é professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB. Para ele, outra ação que deve ser implementada é a troca de vasos sanitários e torneiras antigas por equipamentos com válvulas que liberam quantidade menor de água.

 

Além da aplicação de medidas para redução de consumo, uma das propostas da comissão é desenvolver uma plataforma digital com sistema de geoprocessamento e gestão ambiental dos recursos hídricos. Quando implantado, o programa apresentará todo o panorama do consumo de água em todas as unidades do campus. Dessa forma, a administração terá, em tempo real, o quadro completo da utilização da água em suas dependências.

 

As engenheiras ambientais estimam que, caso as medidas de controle sejam tomadas (e mantidas), a UnB pode reduzir seu índice de perda de água em cerca de 70% – e, consequentemente, levar à economia de recursos financeiros empregados no pagamento das contas.

 

*Como iniciativa para estimular o uso consciente da água, a Caesb mantém um programa online de controle e redução de perdas. Saiba mais.

 

 

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