Tecnologia utiliza geometria inovadora de grão combustível, que a torna mais compacta, barata, eficiente e segura

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A UnB obteve a concessão da patente de invenção de um motor de foguete híbrido, com geometria inovadora de grão combustível. Concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a patente foi expedida em novembro de 2025, com titularidade da UnB, por meio do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT).

 

De acordo com os inventores do protótipo, o motor híbrido com geometria do grão combustível representa um marco histórico para a instituição. “Essa foi a primeira patente na área de propulsão química da UnB. Na área de motores híbridos, provavelmente é a primeira do Brasil”, comenta o professor da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE), campus UnB Gama, Artur Bertoldi.

 

Além dele, participaram da pesquisa o professor do Departamento de Engenharia Mecânica (ENM/FT) Carlos Gurgel e o egresso de Engenharia Mecânica Henrique Alves. “A proteção intelectual garante que a tecnologia desenvolvida possa continuar evoluindo de forma segura e aumenta as chances de que saia do laboratório e chegue ao mercado”, salienta Gurgel, ex-diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Parque Científico e Tecnológico (PCTec) da UnB.

 

Assim, a patente funciona como um sinal de confiança para a indústria, que vê que tecnologia possui originalidade, relevância e potencial de aplicação. “O projeto demonstra maturidade técnica e reafirma a capacidade nacional em tecnologia espacial. A patente cria segurança jurídica, essencial para atrair investimentos, parcerias e desenvolvimento de produtos ou serviços”, afirma o professor Guilherme Gelfuso, diretor do CDT.

 

>> Saiba mais sobre o recorde de patentes alcançado pela UnB em 2025

 

PESQUISA – Criada em 2016, a tecnologia teve início no Laboratório de Energia e Ambiente (LEA),  do Departamento de Engenharia Mecânica (ENM), no campus Darcy Ribeiro, com participação do curso de Engenharia Aeroespacial da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE). Segundo os pesquisadores, a tecnologia do motor de foguete híbrido traz como inovação a proposta de geometria, que o torna muito compacto, com custo de produção reduzido, mais eficiente e mais seguro.

A produção do protótipo do motor teve início em 2016 e a patente foi expedida em 2025. Imagem: Reprodução

 

Em outros modelos, como, por exemplo, o motor de foguete híbrido que usa impressão 3D metálica, recentemente apresentado pela UnB, há uma geometria clássica, sendo a inovação dele o modo construtivo de manufatura aditiva. Para entender a ciência por trás da tecnologia, os pesquisadores explicam que o motor foguete híbrido é um sistema de propulsão química que utiliza combustível sólido e oxidante líquido ou gasoso, combinação que torna a operação mais simples e segura.

 

Isso porque, enquanto nos motores sólidos os componentes misturados ficam prontos para a queima na câmara de combustão, no híbrido a reação só ocorre quando o oxidante é injetado na câmara de combustão. “A ignição não é catastrófica. Ela pode acontecer ou não acontecer, mas não explode como na propulsão sólida”, destaca o professor Carlos Gurgel. 

 

Já a geometria do grão combustível é a parte sólida que fica no interior da câmara de combustão e que determina o comportamento da queima. Em modelos convencionais, a taxa de regressão é baixa, o que exige motores mais longos. Na solução desenvolvida pela UnB, a queima ocorre em dupla superfície, “na ida e na volta”, aproveitando melhor o diâmetro do veículo e tornando o motor mais compacto. 

Docente da Engenharia Mecânica, Carlos Gurgel explica a dinâmica inovadora de funcionamento do motor patenteado pela UnB. Foto: Agência Espacial Brasileira (AEB)

 

“Ele ocupa melhor o espaço disponível e faz com que a queima fique mais constante em termos de razão oxidante-combustível”, explica o pesquisador. “Ele pode ser empregado em diversos sistemas que utilizam propulsão química, como o crescente mercado de microssatélites e em veículos lançadores de pequeno porte”, comenta.

 

A exemplo, ele cita o foguete sul-coreano HANBIT-Nano, que utilizou propulsão híbrida e foi o primeiro foguete comercial lançado a partir de uma base brasileira. Além disso, a tecnologia também pode ser aplicada em sistemas de reentrada controlada, permitindo a recuperação de cargas úteis, como experimentos científicos e plataformas tecnológicas reutilizáveis, o que pode reduzir custos de missões espaciais e ampliar as possibilidades de experimentação científica.

 

AUTONOMIA – Toda a pesquisa, bem como os reconhecimentos e patentes, contribui para o fortalecimento da autonomia tecnológica do Brasil, aumentando sua visibilidade no cenário internacional de um setor que tradicionalmente é controlado por um número restrito de países.

 

Também ressalta a liderança da UnB na área, ao buscar com as suas pesquisas a diminuição da dependência de recursos externos e se tornar mais competitiva no contexto do New Space, caracterizado por soluções que são mais compactas, adaptáveis e econômicas para o lançamento de microssatélites.

 

A tecnologia encontra-se hoje em um estágio de maturidade intermediário, com testes e validação laboratorial do protótipo. Os próximos passos envolvem o refinamento da solução para que ela possa ser avaliada em condições mais próximas da aplicação real.

 

Paralelamente, a equipe já iniciou estudos envolvendo o uso de manufatura aditiva, popularmente conhecida como impressão 3D, aplicada à fabricação de componentes metálicos para aplicações espaciais.

 

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