Obra Pequi e Cajuzinho é fruto do projeto Alimentação e Saúde na Escola: um olhar interdisciplinar, desenvolvido na Faculdade de Ciências da Saúde 

Arquivo pessoal


A proposta de integrantes do projeto de extensão Alimentação e Saúde na escola: um olhar interdisciplinar, desenvolvido na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (FS/UnB), era fazer uma ação alimentar e nutricional com as crianças de uma escola do Distrito Federal como parte da programação da Semana Universitária de 2025. O evento é realizado anualmente pela UnB para integrar a comunidade acadêmica e a sociedade. Para isso, a ideia era produzir um livro com receitas que seriam desenvolvidas com os alunos. Mas a estudante Marianne de Oliveira, do sétimo período do curso de Nutrição e participante da iniciativa, foi além.

“Eu não queria ir à escola e simplesmente fazer as receitas sobre frutos do Cerrado, sem explicar nada sobre eles”, conta a universitária. Foi aí que ela começou a criar uma história. Nasceu, então, o livro infantil Pequi e Cajuzinho: aventuras saborosas pelo Cerrado. A obra ilustrada une receitas culinárias, fotografias, desafios, além de incentivar a alimentação saudável e celebrar a biodiversidade do Cerrado. São propósitos que se aliam aos do projeto de extensão, cujo foco é a realização de ações relacionadas à saúde nutricional de escolares.

>> Conheça o livro Pequi e Cajuzinho: aventuras saborosas pelo Cerrado

Marianne escolheu abordar dois frutos do Cerrado: o cajuzinho, que é o seu preferido, e o pequi, que ela não gosta tanto. Pequi e Cajuzinho são dois amigos curiosos que embarcam em uma aventura para conhecer o Cerrado, descobrindo outras frutas, as paisagens e a importância de preservar o bioma. Em três capítulos, divididos entre a abordagem do Cerrado, a publicação versa sobre questões como nutrição, frutos locais e receitas, além de oferecer interatividade, com caça-palavras e glossário.

As estudantes de Nutrição Marianne de Oliveira e Isabella Campos idealizaram o livro. Foto: Arquivo pessoal


O desenvolvimento deste trabalho contou com o envolvimento da família da estudante. A mãe criou as receitas, a irmã, na época com nove anos, fez as ilustrações. “Quando entrei na Universidade, o meu propósito era juntar a comunidade e o meio acadêmico. Então, ver a minha mãe, que só tem o ensino médio, e a minha irmã, que ainda é nova, neste projeto é mostrar a Universidade também para elas”. O livro também contou com a colaboração da amiga e estudante de Nutrição Isabella Pereira Campos, que atuou desde a concepção e foi responsável pelas fotografias.

A instituição escolhida para receber a ação foi a Escola Classe São Bartolomeu, que fica na zona rural de São Sebastião (DF). “Esta escola está no meu coração, foi onde eu e meu irmão estudamos, e agora é onde minha irmã estuda. Foi importante mostrar para os estudantes que o livro também tinha sido feito por uma aluna da escola, pois isso muda o olhar”.

Marianne conta que muitos alunos da escola moram em casas em que há pé de frutos do Cerrado no quintal ou bem próximos. Apesar disso, muitos não conheciam ou não sabiam a relevância daquele alimento. Como retorno do trabalho, percebeu que as crianças levaram as informações para seus pais e familiares, incentivando-os a valorizarem os frutos presentes nos próprios quintais. “O conhecimento se propagou e este era o propósito, pois não adianta as informações ficarem restritas ao ambiente acadêmico, temos que levar à comunidade”, conta orgulhosa.

RECONHECIMENTO E PROJEÇÃO – O impacto do livro não foi só na escola que recebeu a ação. Ele foi indicado ao Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, na categoria Ciência de Alimentos e Nutrição. Para Marianne, a conquista homenageia a amiga Isabella, que faleceu antes da indicação. “O livro tem um valor emocional imensurável. É uma forma de manter viva a memória da Isabella e honrar a conexão com a minha mãe e minha irmã”.

Além disso, ele foi disponibilizado gratuitamente pela plataforma Amazon e está nas prateleiras da Biblioteca Central da UnB. Marianne já recebeu convites para palestrar em outras escolas. Para a coordenadora do projeto de extensão e professora do Departamento de Nutrição (NUT/FS/UnB), Viviane Belini, a repercussão do livro foi maior que a esperada. “O mais importante é perceber que ele ultrapassou os limites do projeto e passou a alcançar outras escolas e outras crianças”.

Livro repercutiu além da Escola Classe São Bartolomeu, com conhecimento levado aos familiares dos estudantes e a outras instituições de ensino. Foto: Arquivo pessoal


Como projeto para o futuro, a estudante planeja trabalhar com crianças e, quem sabe, com novos projetos de escrita e divulgação científica voltadas ao público infantil. “Eu fui numa instituição e os meninos perguntaram se ia ter um segundo livro do Pequi e Cajuzinho, se ia ter outros personagens. Eu não tinha pensando nisso até essa provocação. Então, fica essa possibilidade.”


ALIMENTAÇÃO E SAÚDE – O projeto de extensão Alimentação e Saúde na escola: um olhar interdisciplinar surgiu há dois anos, com a intenção de aproximar estudantes do curso de Nutrição da realidade da saúde escolar. De acordo com a coordenadora, Viviane Belini, a proposta é levar para a formação acadêmica situações reais relacionadas às políticas públicas voltadas a esse segmento. “O que me motivou foi a escassez de estudo com escolares de 6 a 14 anos, o que reforçou a necessidade de conhecer melhor essa população e planejar ações de acordo com as demandas identificadas”, conta.

O objetivo é diagnosticar e acompanhar o consumo alimentar, a prática de atividade física e o estado nutricional de escolares da rede pública, além de desenvolver intervenções de educação alimentar e nutricional a partir dos resultados encontrados. No início de cada ano letivo, estudantes dos cursos das áreas de saúde e educação podem manifestar interesse em participar voluntariamente, informando sua disponibilidade. A equipe organiza as atividades e os estudantes passam a atuar nas ações desenvolvidas nas escolas.

>> Conheça o projeto e participe

 

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