Pesquisadores do Laboratório Aberto de Brasília (LAB), ligado à Faculdade de Tecnologia (FT) da UnB, desenvolveram uma solução inédita que auxilia profissionais de saúde no descarte, com segurança, de material cortante hospitalar comumente utilizado em centros cirúrgicos. Criado com impressora 3D, o removedor de lâminas de bisturi sem partes móveis é o primeiro desenvolvido no mercado e já está em fase de pedido de propriedade intelectual.
Com design simples e de fácil confecção, o dispositivo é acoplado a uma caixa de materiais cortantes, onde a lâmina é inserida para ser destravada do corpo do bisturi. A invenção facilita o descarte da peça, evitando riscos de cortes, acidentes ou contaminação biológica entre profissionais de saúde.
A invenção surgiu por demanda de equipes do Hospital Universitário de Brasília (HUB), após visita, em 2021, de estudantes da UnB. “De lá para cá, num primeiro momento, a gente investigou as bases de patentes e viu que aquilo [a remoção da lâmina] era um problema. A partir daí, nós trouxemos esse desenvolvimento para dentro do laboratório e começamos a desenvolver o protótipo envolvendo as equipes de saúde”, comenta a coordenadora do laboratório e professora do Departamento de Engenharia de Produção (EPR/FT), Andréa dos Santos.
O processo envolveu trabalho multidisciplinar, com pesquisadores dos programas de Pós-Graduação em Ciências Mecânicas, Design e Engenharia Biomédica.
Para garantir a eficácia do dispositivo, foram realizados testes de tração, compressão e flexão para análise das propriedades do material, o que auxiliou na escolha daquele que seria mais adequado para o projeto. Também foi avaliado o desenvolvimento do design e o uso em ambiente real, com implementação entre profissionais do HUB, que puderam dar feedback quanto ao protótipo, visando melhorias.
“A gente conseguiu entender que [o protótipo] trouxe várias melhorias e benefícios para eles: diminuiu a sensação de se machucar na hora de remover a lâmina e trouxe agilidade na hora deles retirarem [a lâmina]”, aponta o estudante de pós-graduação em Engenharia Biomédica Mateus Atique, que foi responsável por fazer a integração entre laboratório e HUB para validação do produto.
Segundo o discente, nesta etapa, houve recomendações de melhoria da rotulagem, para deixá-la mais ilustrativa quanto à operação do dispositivo.
O removedor de lâminas de bisturi já está em uso também no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e a expectativa é de ampliar a implementação para outros hospitais do Distrito Federal.
NOVOS PROJETOS – O Laboratório Aberto de Brasília atua na formação de recursos humanos com habilidades e competências para atuar na indústria 4.0, voltada a tecnologias habilitadoras avançadas, como sistemas integrados, simulações, robôs autônomos e computação em nuvem. A equipe atende demandas de desenvolvimento de protótipos e ferramentas em eletrônica, marcenaria e impressão 3D.
Atualmente, os integrantes trabalham na elaboração de outros dois protótipos com impressão 3D para maior segurança na área médico-hospitalar: um abridor de ampolas e um separador de agulhas para a seringa carpule, que tem um sistema de conexão em rosca, mais difícil de remoção da agulha.
Confira matéria da UnBTV sobre o assunto:
*com informações da UnBTV.